Naturalismo

 

Principais autores e obras do Naturalismo

 

Os escritores que se dedicaram a retratar em suas obras os temas naturalistas foram Aluísio Azevedo, Júlio Ribeiro,

Adolfo Caminha, Domingos Olímpio, Inglês de Sousa e Manuel de Oliveira Paiva e Raul Pompéia.

 

 Para saber mais...

 

·        Aluísio Azevedo:

 - O Mulato: Aluísio Azevedo consagrou-se como um escritor naturalista com a publicação de O Mulato (1881), obra que marcou o inicio do Naturalismo brasileiro.  O Mulato aborda temas como o puritanismo sexual (rejeição dos prazeres sexuais), o anticlericalismo (movimento histórico que tem como base a luta pelo predomínio do poder civil e condena a influência dominante de instituições religiosas sobre aspectos sociais e políticos da vida pública) e o racismo.

- Casa de Pensão: É um romance naturalista de 1884. Aluísio Azevedo focaliza, nesta obra, problemas como preconceitos de classe, de raças, a miséria e as injustiças sociais. Baseada em uma história real que indignou o Brasil no século XIX.

 - O Cortiço: Em 1890, o Naturalismo atinge o seu auge com a publicação de O Cortiço. A obra revela a miséria urbana, destaca as classes marginais, há determinismo (o meio, o lugar, e o momento influenciam o ser humano), domínio do coletivo sobre o individual e desagregação dos instintos.

 

·        Júlio Ribeiro:

 - A Carne : É um romance naturalista publicada em 1888. Aborda temas como divórcio, amor livre e uma novo papel para a mulher na sociedade, assuntos que foram ignorados pela literatura da época.

 

·        Adolfo Caminha:

- A Normalista e O Bom-Crioulo: Ambas falam sobre desvios sexuais, mais especificamente, o homossexualismo em O Bom-Crioulo.

 

·        Raul Pompéia:                                                                                                                                                                  

- O Ateneu: Obra que garantiu ao autor lugar entre os maiores romancistas brasileiros tendo características autobiográficas. É uma narrativa reveladora, onde o personagem principal retoma através da memória á fatos ocorridos no passado, como os fantasmas da adolescência vivida num colégio interno. Apresenta problemas como a má direção, comportamentos equivocados de professores, violação da pureza, explosão libidinosa da adolescência etc.     

 

·        Inglês de Souza:

- Foi uma das principais figuras do Naturalismo no Brasil, sendo um dos escritores regionalistas de maior destaque no século XIX. Escreveu O Missionário, obra que aborda a influência do meio sobre o individuo.

      

A ficção regionalista (iniciada no Romantismo) teve continuidade durante o naturalismo. As principais obras regionalistas são:

 

- Luzia-Homem (de Domingos Olímpio): Publicada em 1903, Luzia-Homem é um exemplo do Naturalismo regionalista. Marcado pela fala característica dos personagens, Luzia-Homem mantém duas características clássicas do Naturalismo por toda obra: o cientificismo na linguagem do narrador e o determinismo.

 

- Dona Guidinha do poço (de Manuel de Oliveira Paiva): Essa obra ficou ignorada até 1952, sendo editada sessenta anos depois da morte do autor. Obra que se institui de poesia, reflexão, senso de humor, a presença do falar regional nordestino, além da utilização das tradições orais e das narrativas dos contadores de histórias. 

Lais, Ldmilla e Eladia



13h00 |




Dom Casmurro

 

A obra ‘Dom Casmurro’, de Machado de Assis, pertence ao Realismo, enfoca a história Bento Santiago. Uma das marcas do livro é o aprofundamento psicológico de seus personagens.

Bentinho é um garoto mimado, criado por sua mãe e por sua tia, não consegue tomar decisões sem antes consultar alguém e saber sua opinião. A história se passa no Rio de Janeiro do Segundo Império, e conta a trajetória de Bentinho e Capitu. É um romance psicológico, narrado em primeira pessoa por Bentinho. Durante o romance, o narrador diz que tentou "atar as duas pontas da vida", a juventude e a velhice, ou nascimento e morte.

Em virtude do livro ser narrado em primeira pessoa, não podemos confiar totalmente no narrador-personagem, pois quem nos conta a históraia é alguém ciúmento e que se considera traído pela sua esposa e pelo seu melhor amigo, ou seja, não é possível saber até que ponto o que Dom Casmurro diz é verdade.

O foco do livro não é a possível traição, pois não sabemos se houve ou não a traição. O que nos interessa perceber é a intenção de Machado de Assis em retratar o comportamento de Bentinho, obssessivo e pertubado pelo ciúme.

 

 

 

Saiba Mais (Nos links abaixo você encontrará mais informações sobre a obra)

 

http://www.portrasdasletras.com.br/pdtl2/sub.php?op=resumos/docs/casmurro

 

http://www.youtube.com/watch?v=2TD6JP23c5s

Neste link você poderá encontrar um trecho de ‘Capitu’, minissérie produzida pela Rede Globo:

http://www.youtube.com/watch?v=uZmMGVmr-6c&feature=related

Karina E Paloma



21h27 |




Brasil em Foco

Entre os anos 1850 e 1890, mudanças que aconteciam na Europa ocorriam aqui também, no plano político, social e econômico.

A campanha abolicionista aumentou a partir de 1850, o pensamento republicano surge logo após a Guerra do Paraguai, a Monarquia entra em decadência, a Lei Áurea de 1888 não resolve os problemas dos negros, a mão de obra escrava é substituída pela mão de obra assalariada dos imigrantes italianos, que vieram para o Brasil trabalhar na lavoura cafeeira. Essas mudanças e o nosso Realismo foram influenciados pelo pensamento europeu, principalmente pelo evolucionismo e pela filosofia alemã.

 

O nosso Realismo...

 

... começa em 1881 com a publicação de ‘Memórias Póstumas de Brás Cubas’, de Machado de Assis. Na obra o autor constrói, na figura de um 'defunto-autor' e não um 'autor-defunto' - como bem se define o próprio Brás Cubas -, o motivo central de sua crítica à sociedade, pois, estando distanciado do mundo dos vivos, o morto Brás Cubas destrói, a partir de suas relações sociais, a sociedade do Brasil do século XIX, com seus vícios, seu parasitismo e suas mesquinharias. Brás Cubas reconta a própria vida, do fim para o começo, num relato marcado pela franqueza e ironia.

O romance realista busca mostrar a verdade aos leitores e não servir somente como distração e para entreter a burguesia. Os seus principais temas eram a escravidão, os preconceitos raciais e a sexualidade, eram feitas análises psicológicas das personagens e criticas à sociedade a partir de seu comportamento. O romance realista é o retrato de sua época.

 Saiba Mais

http://www.youtube.com/watch?v=wx4TWiaqfdM

 

http://www.youtube.com/watch?v=4MJB8kOShFc&feature=related 

 

Para Ler e Assistir:

Memória Póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis / Filme – Brás Cubas (Brasil – 2008) 

Acesse o link e você poderá ver o trailer do filme Brás Cubas.

 

http://www.youtube.com/watch?v=OxlSOkN18qk

 

Machado de Assis

 

 

 

“Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver, dedico, com saudosa lembrança, estas memórias póstumas” - (Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis).

 

Machado de Assis foi escritor, dramaturgo, contista, jornalista, cronista, teatrólogo e é considerado um dos maiores escritores brasileiros. Seu livro ‘Memória Póstumas de Brás Cubas’ é o livro inicial do Realismo Brasileiro. Como no trecho citado acima, podemos notar em sua obra um humor negro e a dura crítica que faz à sociedade e a suas instituições. Com a sua crítica, o objetivo não era constranger o leitor e sim fazer com que ele se identificasse com as suas personagens.

 

A obra de Machado pode ser dividida em duas fases:

 

·        Na primeira fase (fase romântica), as suas personagens apresentam características românticas. Os livros dessa fase têm como tema o amor, os relacionamentos amorosos, a família e o dinheiro, mostram preocupação com a ascensão social e as histórias têm começo, meio e fim. Os romances têm caráter moralizador e o objetivo é divertir os leitores. Algumas obras desta fase: Ressurreição (1872); A mão e a luva (1874), Helena (1876) e Iaiá Garcia (1876);

 

·        Na segunda fase (fase realista), Machado dá lugar para questões psicológicas das suas personagens, faz uma análise realista da sociedade, do ser humano. E dá atenção para a falsidade após o casamento. O ambiente dos romances é a alta sociedade escravista, a trama se desenvolve durante o Segundo Reinado, na cidade do Rio de Janeiro. As personagens são reflexos da sociedade dominante. Algumas obras desta fase: Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), Dom Casmurro (1900) e Quincas Borba (1902).

Saiba Mais:

Um mestre na Periferia (links)

 

http://www.youtube.com/watch?v=hln2xUlUs0Y&feature=related

 

http://www.youtube.com/watch?v=yxgqYaB86hY&feature=related

 

http://www.youtube.com/watch?v=oD3f2Pw2LcU&feature=related

 

Karina e Paloma

 

 

 

 



20h40 |




Memórias de um sargento de milícias

Análise de Romance: Memórias de um sargento de milícias

 

Filho de uma pisadela e de um beliscão!

 

Depois de estudarmos todas as características românticas e lermos o romance Memórias de um Sargento de Milícias, podemos fazer as seguintes perguntas: esta obra é realmente romântica? Onde estão as características? E não estaremos errados ao perguntar. Romance deslocado em seu tempo, as Memórias não tiveram grande sucesso ao lado do público como tiveram os romances de Alencar e Macedo, talvez por ter sido, como afirmou Antonio Candido, “a obra mais discretamente máscula da ficção romântica”. Apenas mais tarde, os estudiosos reconheceram a originalidade e o valor deste filho rejeitado do Romantismo.

Manuel Antônio de Almeida escreveu o romance em folhetins, entre os anos de 1852 e 1853, enquanto trabalhava como revisor, tradutor e redator do Correio Mercantil. Isto pode explicar o fato de o autor ter escolhido, para narrar a história, um estilo descontraído e simples, próximo à linguagem jornalística. A linguagem do livro, aliás, é algo que merece a nossa atenção.

 

A linguagem coloquial

 

(...) ganharam eles aqui reputação bem merecida dos mais refinados velhacos

      

Para tornar a narrativa dinâmica e divertida, o autor lançou mão de uma linguagem próxima do coloquial e de uma fluidez animada na forma de contar as cenas. Manuel Antônio de Almeida narra de maneira direta, simples, sem as metáforas e adjetivações típicas dos romances da época.

O leitor de hoje talvez encontre certa dificuldade linguística ao ler o livro, mas esta dificuldade acontece devido ao pouco conhecimento do vocabulário da época, pois este mudou em relação ao nosso tempo. Apesar disso, o leitor não deve se confundir e pensar que a linguagem do romance é erudita.

Apenas ocasionalmente, o narrador empregará elementos eruditos em sua linguagem para conseguir um efeito cômico na história. É o que acontece quando se refere ao protagonista Leonardinho com o latinismo memorando, que significa “que ou quem é digno de lembrança”.

 

Escapismo no tempo do rei

 

Por representar os hábitos da sociedade carioca em um determinado período, as Memórias podem ser consideradas um romance de costumes. O período em questão é o início do século XIX, quando o rei Dom João VI esteve no Brasil com a Família Real Portuguesa, promovendo grandes mudanças.

Era no tempo em que a burguesia com a sua industrialização ainda não havia de todo substituído o trabalho artesanal, e em que ainda havia um sentimento de parceria e coletividade. Somente neste tempo, Manuel Antônio de Almeida poderia ambientar um mundo sem culpa onde coexistissem “Ordem” e “Desordem”.

O título Memórias, apesar de sugerir um foco narrativo em primeira pessoa, refere-se às memórias de um tempo, e não às memórias da vida de alguém. Nesse sentido, o romance é escapista, pois frustado com a realidade, o romance busca inspiração no passado. Era no tempo do rei – imitando a fórmula dos contos de fadas era uma vez, o narrador evoca o passado logo no início do primeiro capítulo e anuncia que muitas coisas poderão acontecer.

 

ORIGINALIDADE DA OBRA 

“Admirável contador de histórias, com uma prosa direta e simples, nua como a visão desencantada e imparcial que tinha da vida. Por isso mesmo, interessava-se pelo geral, comum a um grupo. Os homens são todos mais ou menos os mesmos; logo, os seus costumes exprimiriam sem dúvida uma constância maior, seriam menos fugazes do que os matizes individuais.” (Antonio Candido)

 

A objetividade na composição do romance está próxima à crônica histórica. No entanto, a representação feita da sociedade se restringe espacialmente às áreas centrais do Rio de Janeiro e em poucos momentos a narrativa se desloca para outro âmbito, apenas duas vezes o leitor é levado ao subúrbio do Cabloco e à festa de Vidinha.                                                                                                                                   

O romance, muitas vezes, é considerado pré-realista. Isto se deve à sua estrutura narrativa, ao retrato social e seu psicologismo, embora sem intuito de análise. O autor descartou em sua obra aqueles modelos sentimentais e heróicos típicos de Alencar, e adotou um modelo nem herói nem vilão, um anti-herói romântico, filho de uma pisadela e de um beliscão. Retratou a sociedade, fazendo críticas sutis a todas as instituições, das quais não escapou nem o clero.

Mário de Andrade aproximou Memórias à novela picaresca espanhola, tendo em vista todas as peripécias do protagonista Leornadinho:

 

“O romance picaresco (...) assentava-se inteiramente nas aventuras de um pobre que via com desencanto e malícia, isto é, de baixo, as mazelas de uma sociedade em decadência. O pobre no seu afã de sobreviver, transformava-se em pícaro, servindo ora a um ora a outro senhor e provando com o sal da necessidade a comida do poderoso. Ao pícaro é dado espiar o avesso das instituições e dos homens: o seu aparente cinismo não é mais que defesa entre vilões encasacados.” (Alfredo Bosi)

 

Mas o romance se distancia da novela picaresca em algumas questões: as Memórias não são narradas em primeira pessoa, Leornadinho não é o foco narrativo do romance e o protagonista não trabalha em cozinhas como os pícaros, mas sim é amparado pelos amigos, pelo padrinho e pela madrinha.

 

Crônica histórica, novela picaresca ou romance pré-realista? Vários estudiosos têm tentado definir a originalidade da obra. O mais assente é considerar Memórias uma obra extemporânea, fora de seu tempo. O Leornadinho não é o arquétipo romântico dos motivos “morrer por amor”, mas sim o primeiro malandro preguiçoso da Literatura Brasileira, um personagem singular que mais tarde serviu de modelo para “Macunaíma” do modernista Mário de Andrade. 

Sintetizando, a obra foi muitas vezes contra as características da época. De início temos a linguagem que, como vimos, é livre do rebuscamento romântico; as personagens são, na maioria, das camadas populares da sociedade; o personagem central nem sempre tem um comportamento ético; não há idealizações no decorrer do romance e o maniqueísmo desaparece na história – não há certo e errado. Diferente de todas as outras obras de seu tempo, Memórias de um Sargento de Milícias, filho rejeitado do romantismo, não nos leva ao choro, mas sim ao riso.

Dicas de Leitura

1808 – Laurentino  Gomes

Era no Tempo do Rei – Ruy Castro

Tom Jones – Fielding

 

Dica de Filme

Carlota Joaquina, princesa do Brasil, de Carla Camurati.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Vários Autores. Apostila ACEPUSP – Literatura Edição 2007 – SP

CANDIDO, Antonio. Formação da literatura brasileira vol. 2. 8ª ed. Belo Horizonte – Rio de Janeiro : Itatiaia Ltd.

BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira – 43 ed. – São Paulo : Cultrix, 2006

Imagem: http://jbchost.com.br/henshin/imgmat/2007/05/03_classicos_da.jpg

Jéssica Di Stasio / Nádia Lopes



20h39 |




Iracema

Análise de romance – IRACEMA (JOSÉ DE ALENCAR)

“Há de viver este livro, tem em si as forças que resistem ao tempo, e dão plena fiança do futuro… Espera-se dele outros poemas em prosa. Poema lhe chamamos a este, sem curar de saber se é antes uma lenda, se um romance: o futuro chamar-lhe-á obra-prima.” (Machado de Assis)

Ao analisar Iracema é necessário que as intenções de José de Alencar ao compor a obra sejam esclarecidas. O autor já havia sinalizado em artigos publicados na imprensa que o índio correspondia ao brasileiro primitivo e devia ter seu lugar em nossa literatura, mas essa representação deveria ser feita de uma maneira inédita, sem imitar o modelo português de escrita que, segundo Alencar, estava em desacordo com a realidade linguística brasileira. “Escreveríamos um poema, mas não um poema épico; um verdadeiro poema nacional, onde tudo fosse novo, desde o pensamento até a forma, desde a imagem até o verso (...). Porventura não haverá no caos incriado do pensamento humano uma nova forma de poesia, um novo metro de verso?” (José de Alencar)

Por essas palavras podemos concluir que o intuito de escrever Iracema não se encerra na narração de uma história, além disso, pretende fundar uma mitologia tipicamente brasileira, criar um passado heroico que definisse a literatura brasileira distinguindo-a da europeia.

 Imagem 1: José de Alencar, em busca da linguagem brasileira

 Iracema, Lenda do Ceará

  Se não pode ser considerado o fundador da literatura nacional Iracema, ao menos, pode ser considerado um livro com linguagem inédita. A indefinição do gênero adotado por Alencar gerou definições diversas de vários estudiosos: poema em prosa, romance poemático, prosa poética, romance histórico indianista, narrativa épico-lírica ou mitopoética. Todas essas nomenclaturas evidenciam um aspecto da obra (a lenda, a narrativa, a poesia, o heroísmo, o lirismo, a história, o mito), mas nenhuma encerra sua definição.

O subtítulo Lenda do Ceará evidencia o desejo de romancear a formação de um povo miscigenado que viria a ocupar todo o Brasil. O tom do discurso remete às narrativas orais, às lendas, e contém semelhanças com as histórias infantis e com os contos de fadas: “Além muito além daquela serra...” (Cap.II)

 Imagem 2: Paisagem cearense, serra, onde Iracema nasce e mar, onde morre de amor

 Personagens, nomes, crenças e raças

 Iracema é um anagrama de América, a índia é, portanto, representante da natureza americana, virgem e cobiçada pelo colonizador europeu. Em tupi o nome é uma junção de ira que significa mel e cembe que significa lábios: lábios de mel. A descrição de Iracema é toda baseada nos aspectos naturais: “Iracema, a virgem dos lábios de mel que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira” (Cap.II) Nas palavras de Silvano Santiago “corpo humano, corpo animal, corpo vegetal, e corpo geográfico confundem-se no universo panteísta* de Alencar, projetando Iracema como alegoria...” *O panteísmo é uma crença religiosa ou atitude filosófica que identifica Deus em tudo que existe no Universo.

Martim Soares Moreno é um personagem histórico que foi enviado ao Brasil com a missão de fundar uma sesmaria na região Nordeste. Representa o colonizador europeu, cristão e de bom coração. Quando se perde do amigo pitiguara Poti numa caçada e entra em terras dos tabajaras é recebido como hóspede pelo pajé Araquém, mas rejeita a oferta de “mulheres sem conta para servi-lo”.

Essa atitude é definidora de dois pontos importantes da personalidade de Martim, seu amor por Iracema e sua natureza cristã e monogâmica que via em todas as mulheres o reflexo da virgem Maria. Apesar de narrar uma história em que as tradições indígenas são negadas para a realização do desejo do colonizador a obra não narra conflitos diretos entre as duas raças. “O conflito não se dá entre brancos e índios e, quando ocorre nesse nível deve-se aos ‘maus’ brancos e aos ‘maus’ índios. Os ‘bons’ brancos e índios irmanam-se na formação do homem brasileiro”. (Os livros da Fuvest/Unicamp - II)

 Moacir, filho de Iracema e Martim é símbolo de um povo, o primeiro brasileiro mestiço encerra em si uma das mais importantes características brasileiras, a miscigenação fruto da cordialidade com os estrangeiros. “O primeiro cearense, ainda no berço, emigrava da terra pátria. Havia aí a predestinação de uma raça?” (Cap. XXXIII)

Enredo e narração

Numa atmosfera lendária, de exótica e delicada poesia, desenrola-se a história triste dos amores de Martim, primeiro colonizador português do Ceará, e Iracema, jovem e bela índia tabajara, filha de Araquém, pajé da tribo. Martim saíra à caça com seu amigo Poti, guerreiro pitiguara, e perdera-se do companheiro, indo ter aos campos dos inimigos tabajaras. Encontra Iracema, que o acolhe na cabana de Araquém, enquanto volta Caubi, seu irmão, que reconduziria o guerreiro branco, são e salvo às terras pitiguaras. Iracema, porém, apaixona-se por Martim, traindo o segredo de jurema, que guardava como virgem de Tupã. Acompanha o esposo, deixando na sua tribo um ambiente de revolta, acirrado pelos ciúmes de Irapuã, destemido chefe tabajara. Desencadeia-se a guerra da vingança, e os tabajaras são derrotados; Iracema confunde as venturas do amor com as amargas tristezas que despertam os campos juncados de cadáveres de seus irmãos. Ao remorso e saudade outra dor se lhe acrescenta; o arrefecimento do amor de Martim que, para amenizar a nostalgia da pátria distante, ausenta-se em longas e demoradas jornadas. Num dos seus regressos, encontra Iracema às portas da morte, - exausta pelo esforço que fizera para alimentar o filhinho recém-nascido, a quem dera o nome de Moacir, literalmente na sua língua, filho da dor. Martim enterra o corpo da esposa e parte, levando o filho e a saudade da fiel companheira. (Pequeno Dicionário da Literatura Brasileira)

O deseja de criar uma literatura genuinamente nacional de Alencar foi resgatado pelos modernistas. Muitas obras modernas dialogam com o indianismo alencariano, entre elas: Macunaíma de Mário de Andrade, o Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade e Quarup de Antônio Callado.

Imagem 3: Iracema retratada em pintura de Antônio Parreiras, 1909

 O narrador de Iracema, romântico, mostra-se profundamente envolvido e emocionado com o que narra” (Os livros da Fuvest/Unicamp - II) Os fatos descritos já estão num passado distante entre os anos de 1604 a 1611 e o narrador invoca no primeiro capítulo as cenas de um Nordeste paradisíaco e primitivo que nada tem a ver com a dureza do semi-árido: “Verdes mares bravios da minha terra natal” (Cap.I)

 Contemporaneidade

O deseja de criar uma literatura genuinamente nacional de Alencar foi resgatado pelos modernistas. Muitas obras modernas dialogam com o indianismo alencariano, entre elas: Macunaíma de Mário de Andrade, o Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade e Quarup de Antônio Callado.

Outro autor que se debruçou sobre Iracema foi Chico Buarque numa canção que retrata o sonho atual de muitos latinos, migrar para os Estados Unidos cumprindo assim a predestinação dos cearenses:

Iracema voou /Para a América /Leva roupa de lã /E anda lépida /Vê um filme de quando em vez /Não domina o idioma inglês /Lava chão numa casa de chá 
Tem saído ao luar /Com um mímico /Ambiciona estudar /Canto lírico /Não dá mole pra polícia /Se puder, vai ficando por lá /Tem saudade do Ceará /Mas não muita /Uns dias, afoita /Me liga a cobrar: /-- É Iracema da América

(Chico Buarque/1998)

Imagem 4: A substituição da vida natural pelo american way of life

 Referências Bibliográficas: Iracema (José de Alencar)/ os livros da Fuvest/Unicamp - II (Fernando teixeira de Andrade) http://fredb.sites.uol.com.br/iracema.html http://www.ceara.com.br/fortaleza/historiadefortaleza.htm http://www.portrasdasletras.com.br/pdtl2/sub.php?op=resumos/docs/iracema
Imagens: 1. http://2.bp.blogspot.com/_g1foUPErH9Y/Shau73RWjBI/AAAAAAAAAac/JVeNApe5vHg/s400/Alencar.jpg 2.http://geoparkararipe.blogspot.com/2008_12_01_archive.html 3.http://pre-vestibular.arteblog.com.br/r555/LITERATURA/6/ 4. http://www.nartube.net/40df21f72d:8mUEXJzFrvo.html

Jéssica Di Stasio / Nádia Lopes

 



19h48 |




Prosa Romântica

ROMANTISMO / PROSA

A prosa romântica se estabeleceu primeiro nos jornais, antes de ser vendida em formato de livro.  A leitura havia atingido o status de atividade de entretenimento, e o século XIX assistiu à expansão do número de leitores, especialmente entre a aristocracia rural. A temática apresentada nas obras coincidia com os conflitos emocionais dos leitores, e a retratação das cores e dos costumes locais criava essa familiaridade entre a arte e a vida que fascinou os leitores que não tinham a profundidade necessária para compreender as epopeias clássicas do Renascentismo.

 Folhetim, audiência cativa

Não é por mero acaso que a palavra folhetim hoje é mais relacionada às telenovelas do que aos romances publicados em capítulos nos jornais por volta de 1830. O formato é rigorosamente o mesmo; personagens lineares: vilão, vilã, mocinho e mocinha, entrecortados por personagens secundárias. O desenrolar da complicação sentimental tem objetivo moralizante e, embora pretenda retratar a falsidade moral de alguns personagens da sociedade, utiliza-se de pouco aprofundamento psicológico.

Há até quem compare o formato dos jornais do século XIX com o horário nobre das emissoras de televisão modernas. Num primeiro momento, as notícias sobre política, economia, esportes e saúde, muito resumidas, seguidas da apresentação do drama esperado por todos. Ressalte-se que, mesmo na televisão, essa dobradinha está no ar há quase 50 anos.

 Imagens 1 e 2: Jornalismo seguido de novela, realidade e ficção lada a lado

 Romance histórico 

O romance histórico teve um subgênero de grande sucesso, denominado romance de “capa e espada”, cujo exemplo maior é Os três mosqueteiros, de Alexandre Dumas. Embasado também no romance de mistério, esse gênero debruça-se sobre o passado, colocando heróis nacionais na defesa de valores coletivos. Na Europa a base do romance histórico foi a Idade Média, a ambientação nesse período remetia à formação das nações após sua luta por independência. No Brasil, o mesmo sentimento teve de ser adaptada à era pré-colonial e o papel de heroísmo foi atribuído ao índio nativo.

Embora sem compromisso com a verdade histórica, muitos romances baseavam-se em personagens reais e nas lendas criadas em torno de suas figuras para difundir a afirmação da nacionalidade.Os autores que mais obtiveram sucesso nesse tipo de romance foram José de Alencar com As minas de prata e A guerra dos mascates, Bernardo Guimarães com Lendas e Romances e Histórias da província de Minas Gerais, e Franklin Távora com O matuto e Lourenço.

O romance histórico contemporâneo tem atingido altos níveis de vendagem, prova de que o passado dos povos sempre será interessante fonte de pesquisa da formação das sociedades modernas. Exemplos de sucesso são Agosto de Rubem Fonseca, acerca do suicídio de Getúlio Vargas, Olga de Fernando Morais, sobre a trajetória da esposa de Luís Carlos Prestes e 1808 de Laurentino Gomes sobre a chegada da família real portuguesa no Brasil.

Imagens 3, 4 e 5: Romance histórico, sucesso até hoje

Romance urbano

A corte carioca era o cenário dos romances urbanos que tinham como objetivo principal retratar criticamente a sociedade. A burguesia é apresentada em detalhes, inclusive os desagradáveis, embora as maiores problemáticas girem em torno de temas familiares: namoros, casamentos, heranças e fofocas maldosas. As características das personagens são deduzidas através de seus diálogos, gestos, atitudes e figurinos. O romance urbano também retratou as cidades que se formavam com considerável fidelidade, cenas do cotidiano, ambientes e costumes reais da época foram narrados nos romances. Era comum, por exemplo, que as pessoas comentassem em saraus, bailes e passeios às casas de campo cenas de romances que se passavam em cenários iguais aos ocupados pelos leitores.

A obra que inaugurou o gênero é A moreninha de Joaquim Manoel de Macedo em 1844. Nesse romance nenhum aprofundamento psicológico pode ser observado, porém, com o desenvolvimento do gênero certas sutilezas começam a exibir a visão de profundos conhecedores da alma feminina, como em Lucíola e Senhora de José de Alencar. São exemplos de romances urbanos: Diva, Lucíola. Senhora, A Pata da Gazela, Cinco minutos e a Viuvinha de José de Alencar e A moreninha, A luneta mágica e O moço loiro de Joaquim Manoel de Macedo.

Imagens 6 e 7: Rio de Janeiro no século XIX,  as cidades e seus tipos ganham destaque nos romances

Romance regionalista

No século XIX a maioria dos brasileiros vivia no campo e uma parte deles conheceu a ascensão econômica através do comércio de produtos agrícolas. As senhoras agora tinham criados para tratar dos afazeres e nenhuma ocupação durante todo o dia o que faz com que algumas se aventurassem por uma parte da casa, até então, completamente masculina: a biblioteca. Os romances voltam-se para o campo, vilas e províncias na tentativa de reconhecer o valor do brasileiro e da nossa Natureza. O sertão tornou-se um símbolo da autenticidade brasileira em aposição às influências europeias que maquiavam a corte. Muitos autores dedicaram-se a esse gênero e suas publicações oscilavam entre a idealização de José de Alencar e Bernardo Guimarães e a descrição fotográfica de Franklin Távora e Visconde de Taunay.

Imagens 8 e 9: O povo e as paisagens brasileiras retratados nos romance

O interesse pelos tipos do interior do país levou autores modernos como Graciliano Ramos, Jorge Amado, Guimarães Rosa, José Lins do rego, Érico Veríssimo e Rachel de Queirós a compor romances regionais lidos em todo o país e no exterior.         

Referências Bibliográficas:http://pt.shvoong.com/books/1625692-prosa-rom%C3%A2ntica-brasil/ http://www.graudez.com.br/literatura/romantismoprosa.html http://recantodasletras.uol.com.br/cartas/374583 Imagens: 1.http://www.almanaquedacomunicacao.com.br/blog/?cat=4&paged=2 2.http://extra.globo.com/lazer/canalextra/posts/2010/05/24/passione-toto-se-apaixona-por-clara-primeira-vista-293716.asp 3.http://www.revistaparadoxo.com/materia.php?ido=2127 4.http://www.livrariaresposta.com.br/v2/produto.php?id=2237 5.http://espacoembranco.files.wordpress.com/2010/01/livro_1808.jpg 6.http://www.revistaparadoxo.com/materia.php?ido=2095 7.http://cafehistoria.ning.com/profiles/blog/show?id=1980410%3ABlogPost%3A43822 8.http://1.bp.blogspot.com/_WTKcdJrAI28/Sg9lKiehWNI/AAAAAAAAADY/XhRBMGDW3mY/S660/Sertao_paraibano_14.jpg 9.http://www.nadademuitointeressante.blogger.com.br/foto_14834_2004-03-15_grande.jpg 

 Jéssica Di Stasio / Nádia Lopes



22h40 |




Romantismo 3ª Geração

3ª Geração – Condoreira / Hugoana

Após a introspecção e o pessimismo da segunda geração, a poesia volta-se para o mundo real e luta para modificar a situação que oprime o poeta e o condena a constante fuga da realidade. Essa geração abusa de elementos figurativos e alegóricos para exemplificar seus ideais.

 O condor é a maior ave de rapina conhecida. Apresenta penugem negra e vive nos Andes, na América do Sul. Esse elemento da Natureza foi tomado como símbolo pelos poetas da terceira geração romântica pela força empregada na conquista de seus objetivos. A poesia condoreira apresenta estilo elevado, tal qual as grandes altitudes alcançadas no vôo da ave, hiperbólico, com preocupação social e política. A grande causa da luta dos condoreiros no Brasil foi a Abolição da Escravatura.

1. Condor: Resistência e elevação imitadas pelos poetas românticos.

A poesia lírica dessa geração assume um caráter mais realista, seguindo a linha de pensamento vigente. Ocorre um avanço na tradição poética que abandona o amor convencional e ilusório, repleto de temores e culpas. Essa tendência é uma antecipação do Realismo.

 O poeta francês Victor Hugo serviu de modelo a essa geração por ser um representante internacional da poesia político-social. No Brasil, o Condoreirismo estendeu a defesa do oprimido principalmente ao escravo, assumindo também parte na luta pela República. Vale ressaltar que nesse momento o país era governado por D. Pedro II.

 

2. Victor Hugo: a poesia não está na forma das idéias, mas sim nas próprias ideia

castro alves

O Brasil que Castro Alves via de sua janela exibia contradições que marcaram suas escolhas poéticas: um país quase completamente rural com pequenos traços de um crescimento da cultura urbana e, em conseqüência, de ideais libertários e democráticos que levam a um questionamento da autoridade do senhor para com seus escravos. Ao ingressar na faculdade de Direito o poeta baiano embarca na luta abolicionista e usa sua poesia como forma de divulgação e protesto daquela que considerava a causa de seu século.

Conhecido como “poeta dos escravos”, Castro Alves trazia em sua poesia uma clara objeção a esse tipo de contrato de posse, porém, o que revela a sua grandiosidade é o apontamento do horror que o ser humano no geral pode produzir num semelhante seu. O escravo em Castro Alves é retratado em seus aspectos humanos, não é apenas vítima de um regime cruel. O sentimento do escravo é exposto e o leitor se depara com uma revolta e uma indignação sem tamanho, comparável apenas a desumanidade dos senhores comerciantes de negros.

Senhor Deus dos desgraçados! 
Dizei-me vós, Senhor Deus! 
Se é loucura... se é verdade 
Tanto horror perante os céus?! 
Ó mar, por que não apagas 
Co'a esponja de tuas vagas 
De teu manto este borrão?... 
Astros! noites! tempestades! 
Rolai das imensidades! 
Varrei os mares, tufão! 

Quem são estes desgraçados 
Que não encontram em vós 
Mais que o rir calmo da turba 
Que excita a fúria do algoz? 
Quem são?   Se a estrela se cala, 
Se a vaga à pressa resvala 
Como um cúmplice fugaz, 
Perante a noite confusa... 

(...)

São os filhos do deserto, 
Onde a terra esposa a luz. 
Onde vive em campo aberto 
A tribo dos homens nus... 
São os guerreiros ousados 
Que com os tigres mosqueados 
Combatem na solidão. 
Ontem simples, fortes, bravos. 
Hoje míseros escravos, 
Sem luz, sem ar, sem razão. . . 

São mulheres desgraçadas, 
Como Agar o foi também. 
Que sedentas, alquebradas, 
De longe... bem longe vêm... 
Trazendo com tíbios passos, 
Filhos e algemas nos braços, 
N'alma — lágrimas e fel... 
Como Agar sofrendo tanto, 
Que nem o leite de pranto 
Têm que dar para Ismael. 

Lá nas areias infindas, 
Das palmeiras no país, 
Nasceram crianças lindas, 
Viveram moças gentis... 
Passa um dia a caravana, 
Quando a virgem na cabana 
Cisma da noite nos véus ... 
... Adeus, ó choça do monte, 
... Adeus, palmeiras da fonte!... 
... Adeus, amores... adeus!... 

(O NAVIO NEGREIRO)

De fato a poesia abolicionista e humanitária é a face mais conhecida de Alves, no entanto, o autor também se dedicou à poesia lírica, que adquire características eróticas, representando um amadurecimento do amor retratado pelos ultra-românticos. A poesia erótica concilia o exercício poético com a prática do amor.

Não sabes, criança? 'Stou louco de amores...
Prendi meus afetos, formosa Pepita.
Mas onde? No templo, no espaço, nas névoas?!
Não rias, prendi-me

Num laço de fita.

Na selva sombria de tuas madeixas,
Nos negros cabelos da moça bonita,
Fingindo a serpente qu'enlaça a folhagem,
Formoso enroscava-se
O laço de fita.

(LAÇO DE FITA)


 Outro nome atribuído a Castro Alves era o de poeta mediúnico, que escreve em estado de transe estabelecendo uma conexão entre os homens e seres superiores. Castro Alves dedicou-se ainda à poesia da natureza em que explorou o efeito de grandes planos como o mar, o céu e as aves que vivem nas altitudes e foi representante também da poesia patriótica e declamatória exposta mos poemas “Ode aos Dous de Julho” e “Pedro Ivo”.

3. Castro Alves: poeta maior da geração condoreira

 

Referências Bibliográficas: http://www.brasilescola.com/literatura/condoreirismo.htm
http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/romantismo/romantismo-1.php
http://doutorgoogle.blogspot.com/2009/12/literatura-romantismo-as-geracoes.html
http://www.alcioneideoliveira.pro.br/LITERATURA_O_ROMANTISMO.htm
http://www.revistaautor.com/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=492:a-poesia-sensual-de-castro-alves-uma-leitura-do-poema-lade-fita&catid=22:cultura-e-sociedade&Itemid=41
http://www.revista.agulha.nom.br/calves.html

Imagens: 1. http://mythinlyveiledlifelife.files.wordpress.com/2010/01/condor_vuela.jpg

2. http://4.bp.blogspot.com/_LH2fHUqJ-Lk/SrQeWKoFMyI/AAAAAAAAAL0/Q8nbrID1X24/s400/00.jpg

3. http://www.portalafricas.com.br/?pg=ver_personalidade&id=15

Jéssica Di Stasio / Nádia Lopes

 

 



15h45 |




2ª Geração, mais autores

Casimiro de Abreu  

“O belo, doce e meigo Casimiro” (Antonio Candido)

Casimiro de Abreu também não escapou ao fado dos poetas mal du siècle, morrendo tuberculoso aos vinte e um anos. Deixou uma produção poética intitulada “As Primaveras”, em que as características mais marcantes são a saudade e o amor cantados de forma graciosa e harmônica.  Estudiosos afirmam que os temas da poesia de Casimiro de Abreu em nada foram originais. Cantou tudo o que já fora cantado antes: a saudade da Pátria, a saudade da infância, o amor e a tristeza. Em “Canção do Exílio”, que já pelo título nos remete a Gonçalves Dias, não hesitou em usar o termo sabiá, nem em “Meus Oito Anos” não deixou de chorar de saudades da mãe e da irmã, figuras muito presentes na poesia de Álvares de Azevedo:

“Se eu tenho de morrer na flor dos anos, /Meu Deus! Não seja já! /Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde, /Cantar o sábiá!" (Canção do Exílio)

“Oh! dias da minha infância! /Oh! meu céu de primavera! /Que doce a vida não era/Nessa risonha manhã! /Em vez das mágoas de agora, /Eu tinha nessas delícias/De minha mãe as carícias/E beijos de minha irmã!” (Meus Oito Anos) 

 Quanto ao aspecto formal, Casimiro lançou mão de um ritmo fácil, de uma rima não raro pobre e repetitiva. No entanto, justamente pela simplicidade, pelo poetar ingênuo e pelo ritmo cantante, Casimiro de Abreu foi um dos poetas de maior popularidade entre os leitores da época. Silvio Romero, que foi grande autoridade dos estudos literários oitocentistas, diz sobre o nosso caro poeta:

“A poesia sentimental, recordativa, pessoal, íntima, toda eivada de melancolismo, é que ressoa no seu alaúde. Os exemplos pululam em todo o livro das ‘Primaveras’, é abrir o volume e ler ao acaso. Os dotes principais do poeta são a simplicidade e a espontaneidade da forma aliadas ao calor e à intensidade do sentimento.”

Imagem 1: Casimiro de Abreu, o poeta meigo

   Junqueira freire

 “(...) convívio tenso entre eros e thanatos  (Alfredo Bosi)

 Aos vinte anos, professou voluntariamente - mas sem fé e vocação -, mais pelo desejo de fugir à infelicidade que regara toda a sua vida até então. Daí as contradições presentes em sua poesia: a dúvida, o horror ao celibato, o desejo carnal, a ideia do pecado, o remorso, a raiva de si mesmo e a obsessão pela morte como válvula de escape para tanta inquietação. Após três anos de dilema, a morte veio terminar seu desespero. Junqueira Freire morreu aos vinte e três anos de uma moléstia cardíaca e deixou o livro Inspirações do Claustro, testemunho e confissão de sua vida.

A obra de Junqueira Freire é pouco estudada pelo fato de ter sido um “poeta sem mistério”. Em seus poemas, houve muita dificuldade em ajustar as suas intenções à forma adequada, por esse motivo, sua obra é considerada mais um documento que confessa o seu drama que uma obra de poesia. O drama de Junqueira Freire foi “o erro de vocação que o levou ao claustro”.

 “Antes de abrir-se-me a paixão no peito, /quando em botão as afecções me estavam,/fui arrojado aos cárceres eternos.” (O Monge)

Imagem 2: Junqueira Freire, o poeta sem mistérios

 Fagundes varela

 Fagundes Varela, de todos os “poetas da dúvida”, foi o que mais levou uma vida desregrada. Separou-se da esposa com quem tivera um casamento infeliz e preferiu a vida boêmia de beberrão que levava. Veio a falecer em 1875, aos trinta e três anos. Varela explorou todos os temas do Romantismo: patriotismo, religião, amor e bucolismo e, por isso, sua poesia é considerada obra de transição. Sobre o prenúncio que o poeta fez do Condoreirismo, afirma Alfredo Bosi: “Varela prenuncia os condoreiros pelo ardor nacionalista (...), pelo mito da América-paraíso-da-liberdade (...), enfim, no tratamento precoce do tema do negro em relação à literatura abolicionista dos decênios seguintes”

A grande obra prima de Varela foi a elegia, poema triste à morte de alguém, que escreveu ao filho que morreu aos três meses de vida. Em Cântico do Calvário, conseguiu expressar a experiência imediata da perda de um filho em versos decassílabos brancos, com um nobre sentimento, segundo Antonio Candido, um dos mais comoventes de nossa literatura. 

"Correi, correi, oh! lágrimas saudosas, / Legado acerbo da ventura extinta, /(...) Mas não! Tu dormes no infinito seio /Do Criador dos seres! Tu me falas Na voz dos ventos, no chorar das aves, /Talvez das ondas no respiro flébil! /Tu me contemplas lá do céu, quem sabe, /No vulto solitário de uma estrela, /E são teus raios que meu estro aquecem! /Pois bem! Mostra-me as voltas no caminho!/Brilha e fulgura no azulado manto, /Mas não te arrojes, lágrima da noite, /Nas ondas nebulosas do ocidente! /Brilha e fulgura! Quando a morte fria /Sobre mim sacudir o pó das asas, /Escada de Jacó serão teus raios /Por onde asinha subirá minh'alma"

Imagem 3: Fagundes Varela, o poeta que anuncia a terceira geração

Imagens 1. http://apoesiadosoutros.blogspot.com/2009/05/meus-oito-anos-casimiro-de-abreu.html

 2. http://www.enciclopedianordeste.com.br/biografiajunqueira.php

 3. http://apologo11.blogspot.com/2009/03/paragens-do-poeta-fagundes-varella-e.html  

 

Jéssica Di Stasio / Nádia Lopes

 

 

 

 

 

 

 



14h43 |




Romantismo 2ª Geração

 

2ª GERAÇÃO – ULTRA-ROMANTISMO / BYRONIANA

O seguinte vídeo exibe as características da segunda geração romântica apresentando a atmosfera que os autores empregavam nos textos:

 http://www.youtube.com/watch?v=3uZrnEmVrJA&feature=email

Conforme indica sua nomenclatura, a geração ultra-romântica leva ao exagero certas características do movimento romântico como o individualismo, o idealismo amoroso, a exaltação da Natureza e do medievalismo, o egoísmo e o pessimismo. Formada por jovens universitários de São Paulo e do Rio de Janeiro, a segunda geração romântica expressava um intenso sentimento de inadequação à realidade. Esses jovens levavam uma vida desregrada dividida entre estudos, boemia, casos amorosos e leitura de autores europeus.

Esses poetas, em oposição aos indianistas, não se apoiavam em nenhum projeto político. À medida que se voltavam para si mesmos perdiam completamente a consciência do coletivo e do social. Essa distorção entre a realidade concreta e o mundo interior do poeta gera uma frustração irremediável, o spleen, que induz a evasões.  A fuga no tempo conduz o poeta romântico ao passado histórico e a evasão no espaço o conduz a lugares sombrios, tavernas, prostíbulos e cemitérios, locais que ofereciam consolo momentâneo através do sexo, do álcool ou o consolo definitivo através da Morte.

 

Imagens 1 e 2: Evasão no espaço

herança europeia

 O grande nome inspirador do Ultra Romantismo é o poeta inglês Lord Byron. Ele influenciou através de sua obra e de sua figura que serviu de modelo de comportamento para os ultra-românticos nacionais.  As lendas em torno do nome de Byron o tornaram conhecido e criticado pela sociedade britânica de então que enumerava seus pecados: bissexualidade, adultério, divórcio, acumulação de dívidas, alcoolismo e incesto. A seguir alguns de seus versos mais conhecidos:

Versos Inscritos numa Taça Feita de um Crânio

Tradução de Castro Alves       

 “Não, não te assustes: não fugiu o meu espírito
Vê em mim um crânio, o único que existe
Do qual, muito ao contrário de uma fronte viva,
Tudo aquilo que flui jamais é triste.

Vivi, amei, bebi, tal como tu; morri;
Que renuncie a terra aos ossos meus
Enche! Não podes injuriar-me; tem o verme

(..)


 Imagem 3: Lord Byron: poesia e personalidade influenciadora

  álvares de Azevedo: conspicuous by absence

Com uma obra extensa para uma vida tão curta, Álvares de Azevedo é o poeta maior do Ultra-Romantismo, tendo contemplado em sua poesia todos os dogmas da geração perdida: o pessimismo, a frustração, a busca desregrada pelo prazer, a cultuação da figura feminina e a atração pela Morte.  

 Azevedo foi fortemente influenciado por Lord Byron e Alfred de Musset, inspiração que ditou o tom melancólico de seus versos. A contradição romântica também foi representada na Lira dos Vinte Anos, obra poética do autor cuja edição foi preparada pelo mesmo. Na Lira encontramos um adolescente casto, sentimental e ingênuo que por vezes apresenta a face irônica, macabra e viciada de um jovem amadurecido precocemente.

O estilo de vida de Álvares nunca foi conhecido, há alegações de que tenha sido um assíduo freqüentador de tavernas e orgias e outras de que era apenas um jovem doente que vivia de imaginar a vida que não podia ter. Em 1935 Mário de Andrade publicou o estudo “Amor e medo” em que analisou a psicologia da obra de Azevedo e concluiu que o autor sofria de Complexo de Édipo e que morrera virgem.

Ter deixado uma obra inacabada acrescenta à imagem de Álvares a palidez de um fantasma bem ao gosto de seus leitores, isso explica porque toda crítica de seu trabalho tende ao biografismo.

Sua linguagem é repleta de palavras que expressam estados de espírito exibindo a degeneração dos sentimentos e alguns termos científicos, antecipando uma tendência recuperada posteriormente pelo Simbolismo em expressões como “matéria impura”, “pálpebra demente” e “fúnebre clarão”.  Entre 1848 e 1851, publicou ensaios, artigos e discursos. No ano seguinte à sua morte, é publicada a Lira dos Vinte Anos e Poesias Diversas e, somente dois anos depois, os contos de Noite na Taverna.

A expressão inglesa conspicuous by absence define bem Álvares de Azevedo, um personagem romântico que se tornou valoroso pela sua ausência. A morte precoce concedeu veracidade a suas motivações poéticas.

 Imagem 4: Poema escrito dias antes da morte do poeta foi lido no seu enterro por Joaquim Manuel Macedo.

 Referências Bibliográficas

Das origens ao Romantismo (Antonio Candido/J. Aderaldo Castello) /História da Literatura Brasileira (Massaud Moisés) /Objetivo Apostila (Francisco Achcar/Elisabeth de Melo Massaranduba) Poetas românticos brasileiros (Casimiro de Abreu)/ História Concisa da literatura brasileira (Alfredo Bosi) /  Formação da literatura brasileira (Antonio Candido) / Literatura brasileira: das origens aos nossos dias (José de Nicola)http://www.brasilescola.com/literatura/ultra-romantismo.htm
http://www.citi.pt/cultura/temas/frameset_ultrarom.html
http://recantodasletras.uol.com.br/resenhas/1778055
http://www.online-literature.com/byron/
http://www.gothicarts.kit.net/frame1.htm
http://francineversusfrancine.blogspot.com/2008/07/o-ultra-romantismo.html
http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=789&sid=93
 

Imagens

1.http://3.bp.blogspot.com/_DSlYhjfK_pQ/SIOcFw8G5XI/AAAAAAAAAMg/9QH5mYOifwI/s1600-h/gotico20.jpg
2.http://literatura-edir.blogspot.com/2008/06/resumo-e-anlise-de-noite-na-taverna.html
3.http://mhpbooks.com/mobylives/?m=200909                                                    
4.
http://nasentrelinhasdaliteratura.blogspot.com/2010_02_01_archive.html

Jéssica Di Stasio / Nádia Lopes



13h11 |




Romantismo 1ª Geração

GERAÇÕES ROMÂNTICAS

No Romantismo são reconhecidas três gerações, marcadas principalmente por uma temática comum, mas não divididas de maneira rígida, já que as atitudes de uma geração se refletiam na próxima.

Coube à poesia o papel de introduzir e consolidar o Romantismo no Brasil. A obra inaugural desse movimento no país é Suspiros Poéticos e Saudades, de Gonçalves de Magalhães, publicado em 1836.

 Gonçalves reuniu poemas que tratam das saudades da infância, da passagem do tempo, de figuras importantes da política internacional, porém um tema destacou-se em quase todas as composições, a religiosidade que surge bem exemplificada em A poesia:

 

Um Deus existe, a Natureza o atesta;
A voz do tempo sua glória entoa,
De seus prodígios se acumula o espaço;
E esse Deus, que criou milhões de mundos,
Mal queira, num minuto,
Pode ainda criar mil mundos novos.



1ª GERAÇÃO - NACIONALISTA / INDIANISTA

A primeira geração romântica está relacionada à tentativa de construção de uma imagem nacional. A poesia nacionalista exalta a natureza local, exibe um sentimentalismo patriótico exagerado, o amor indianista e o ufanismo. Apesar de defenderem a estética romântica, os representantes da primeira geração apresentam marcas neoclassicistas como comedimento à sobriedade e serviam ao poder do Imperador.

Essa geração teve suas idéias emanadas primeiramente na imprensa por dois grupos de destaque, o fluminense, que em publicações como as revistas Niterói, Guanabara e Minerva Brasiliense exibia textos de Joaquim Norberto, conde Araújo Porto-Alegre e Gonçalves de Magalhães, e o grupo maranhense ao qual pertenceram Odorico Mendes e Sotero dos Reis.

Imagens 1, 2, e 3: A imprensa como território de apresentação da poesia romântica nacionalista

 

Gonçalves Dias

 Um nome comum aos dois grupos de autores é o de Gonçalves Dias, o poeta expoente de sua geração. A abordagem do indígena em sua obra apresenta cores fortes e um ritmo marcado. Os poemas “I Juca Pirama”, “Canção do Tamoio” e “Os Timbiras” exaltam a valentia e a honradez das nações indígenas.

Dias também se destacou na lírica amorosa, mas, sem a passionalidade dos textos imediatamente anteriores aos de sua geração. Em sua obra, a mulher idealizada é um anjo celestial cujo único amor possível é o platônico. Seus mais conhecidos poemas dessa vertente são: “Leito de folhas verdes”, “Se eu morrer de amor”, “Como? És tu?”,Ainda uma vez – adeus!” e “Seus olhos”. A religiosidade foi abordada em, “O mar”, “A noite” e “A tarde”, porém, essa religião volta-se para a majestosidade da Natureza, caracterizando mais um aspecto nacionalista.

Publicou ainda os romances “Primeiros Cantos”, “Segundos Cantos”, “Sextilhas de Frei Antão”, “Últimos Cantos” e “OsTimbiras, Cantos”. Gonçalves apresenta em toda sua obra um equilíbrio, uma erudição e uma senso métrico que se devem a sua formação neoclássica, não completamente abandonada na composição de seus poemas.

O sentimento de solidão causado pela distância da Pátria é tema do poema “Canção do Exílio”, muito revisitado pelos modernistas e que se tornou ícone do nacionalismo da primeira geração romântica.

Imagem 4 : Gonçalves Dias (1823/1864), poeta maior da geração nacionalista.

Gonçalves de Magalhães

  Gonçalves de Magalhães é considerado o introdutor do Romantismo no Brasil. No prólogo do romance “Suspiros Poéticos e Saudades”, apresenta o primeiro manifesto da poesia romântica com uma fiel caracterização das idéias do recente movimento literário. Tratou da poesia indianista em “A Confederação dos Tamoios”, obra que causou polêmica após críticas severas recebidas de José de Alencar.

Contribuiu ainda com os textos teatrais “Olgiato”, “O Poeta e a Inquisição” ao lado de Martins Pena e João Caetano. A respeito do texto de “O Poeta e a Inquisição” o autor afirmou: “Lembrarei somente que esta é, se me não engano, a primeira tragédia escrita por um Brasileiro, e única de assunto nacional.”

 Imagem 5: Gonçalves de Magalhães, pioneiro na estética poética e no teatro.

 

Nacionalismo contemporâneo

 A Copa do Mundo se aproxima e as bandeiras verde-amarelas estão expostas nos quatro cantos do país, esse parece mesmo um bom momento para discutir o nacionalismo. O futebol parece representar, hoje em dia, a única janela por onde o brasileiro exibe seu amor à pátria.

Outros eventos, muito mais decisivos para a obtenção da ordem e do progresso, como eleições, plebiscitos e votações de projetos importantes no Parlamento não chamam tanto a atenção popular, apesar de devidamente divulgados na imprensa.

 Imagem 6: Nacionalismo de quatro em quatro anos

 

 

Referências Bibliográficas

Das origens ao Romantismo (Antonio Candido/J. Aderaldo Castello) /História da Literatura Brasileira (Massaud Moisés) / Objetivo Apostila (Francisco Achcar/Elisabeth de Melo Massaranduba)

http://www.suapesquisa.com/romantismo/romantismo.htm
http://www.profabeatriz.hpg.ig.com.br/literatura/romantismo.htm
http://www.astormentas.com/din/classificacao_popup.asp?epoca=24
http://blog.pontolit.com.br/2008/03/page/6/

Créditos Imagens

1. http://www.mundocultural.com.br/index.asp?url=http://www.mundocultural.com.br/literatura1/romantismo/roman_bra_literatura.htm
2. http://www.machadodeassis.org.br/abl/media/bb_guanabara.jpg
3. http://portugues-na-sala-de-aula.blogspot.com/2008_06_01_archive.html
4. http://blog.pontolit.com.br/2008/03/page/6/
5. http://www.abril.com.br/imagem/Brazilchiap1g.jpg

Jéssica Di Stasio / Nádia Lopes

 

 

 

 

 

 

 



09h26 |




1-  Tarsila do Amaral- “Abaporu” (1928)

De todos os quadros já produzidos no Brasil, este é o mais importante. Seu nome,  Abaporu, na língua tupi-guarani significa “homem que come carne humana”. Na nossa língua: antropófago. A partir desta obra, que Tarsila deu a Oswald de Andrade, seu marido, foi escrito o Manifesto Antropófago e iniciado o Movimento Antropofágico, que tinha a intenção de “deglutir” a cultura europeia, transformando-a em algo bem mais brasileiro.

2-  Cândido Portinari- “O Café” (1935)

Essa pintura é considerada um dos marcos da obra de Portinari, sendo premiada na Exposição Internacional de Pintura do Instituto Carnegie, de Pittsburgh (EUA), em 1935.  A obra retrata uma colheita de café, temática que sempre aparece em suas pinturas devido à lembrança da origem da família, imigrantes italianos que chegaram a São Paulo no fim do século XIX para trabalhar na lavoura cafeeira.

3-  Victor Brecheret- “Santa Ceia” (1935)

A escultura mostra figuras sentadas ao redor da mesa com uma movimentação inusitada devido à orientação de cabeças, torsos e braços em diferentes direções. A estilização das formas e a limpeza de seus volumes receberam a influência do Cubismo, da Art Decó e de Amedeo Modigliani.

4-  Di Cavalcanti- “O Beijo” (1921)

Essa obra foi concluída após Di Cavalcanti ter passado uma temporada em Paris, tendo a influência de Picasso e Matisse. A pintura evoca uma atmosfera romântica de sua juventude. A sensualidade da cena e as cores vibrantes utilizadas indicam o modo de o autor ver a vida, com constante alegria e celebração, como um autêntico boêmio e romântico.

5-  Ismael Nery- “Figura”  (1927)

O tema da obra “Figura”, de Ismael Nery, tem a influência metafísica de Giorgio de Chirico e do cubismo de Picasso. É um quadro que remete à análise da forma humana através de retratos, autorretratos e nus, transformando os moldes da arte brasileira com novos tipos de expressão.

6-  Vicente do Rego Monteiro- “Mani Oca (O nascimento de Mani)”  (1921)

Com o objetivo de resgatar as origens do povo brasileiro através das artes,  Rego Monteiro incorporou a temática indigenista e desenvolveu a estética da cerâmica amazônica,  tornando-a uma importante característica do modernismo brasileiro.

 

 

7-  Lasar Segall- “Perfil de Zulmira”  (1928)

 

            Lasar Segall mostra sensualidade e alegria na obra “Perfil de Zulmira”, através das cores tropicais e das curvas, ressaltando a figura do negro. A densidade plástica da figura é tida como resultado da contraposição contra um fundo decorativo, sendo um forte traço da influência de Tarsila do Amaral em “A Negra”.

8-  Anita Malfatti- “A Boba” (1915)

                       

            Pintura expressionista de Anita com elementos cubo-futuristas, possuindo muitos traços negros e marcantes. Logo após ser apresentada, na polêmica exposição de 1917, a obra foi rejeitada por Monteiro Lobato como uma arte desprovida de sinceridade e de lógica, por conter figuras deformadas e colorido exagerado. “A Boba” traz a questão da feiura como condição humana dos deserdados sociais, os excluídos da temática acadêmica.

 



12h43 |




*Agora, leia as poesias abaixo e perceba as semelhanças entre elas e as obras acima:

 

 

Pronominais  

Oswald de Andrade

 

Dê-me um cigarro

                                                  Diz a gramática                                                 
                                       Do professor e do aluno                                                
                                                   E do mulato sabido                                                    
                                  Mas o bom negro e o bom branco                                      
                                                   Da Nação Brasileira                                                    
                                                   Dizem todos os dias                                                    
   Deixa disso camarada

   Me dá um cigarro

 

 

 

Os nomes dados à terra descoberta

Cassiano Ricardo

 

Por se tratar de uma ilha deram-lhe o nome
de ilha de Vera-Cruz.
Ilha cheia de graça
Ilha cheia de pássaros
Ilha cheia de luz.
Ilha verde onde havia
mulheres morenas e nuas
anhangás a sonhar com histórias de luas
e cantos bárbaros de pajés em poracés batendo os pés.

Depois mudaram-lhe o nome
pra terra de Santa Cruz.
Terra cheia de graça
Terra cheia de pássaros
Terra cheia de luz.

A grande terra girassol onde havia guerreiros de tanga e
onças ruivas deitadas à sombra das árvores
mosqueadas de sol

Mas como houvesse em abundância,
certa madeira cor de sangue, cor de brasa
e como o fogo da manhã selvagem
fosse um brasido no carvão noturno da paisagem,
e como a Terra fosse de árvores vermelhas
e se houvesse mostrado assaz gentil,
deram-lhe o nome de Brasil.

Brasil cheio de graça
Brasil cheio de pássaros
Brasil cheio de luz.

 

 

Irene no céu

Manuel Bandeira

 

Irene preta
Irene boa
Irene sempre de bom humor.

Imagino Irene entrando no céu:
- Licença, meu branco!
E São Pedro bonachão:
- Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.

 

 

   Inspiração

   Mário de Andrade

 

São Paulo! comoção de minha vida...
    Os meus amores são flores feitas de original...
    Arlequinal!... Traje de losangos...Cinza e ouro...
    Luz e bruma... Forno e inverno morno...
    Elegâncias sutis sem escândalos, sem ciúmes...
    Perfumes de Paris... Arys!
    Bofetadas líricas no Trianon... Algodoal...
        São Paulo! comoção de minha vida...

Galicismo a berrar nos desertos da América

 



12h42 |




Essas obras artísticas e literárias pertencem à 1ª Fase do Movimento Modernista Brasileiro

 

  Elas refletem algumas das intenções que o Modernismo tinha para com o Brasil:

 

·       libertar a produção artística brasileira dos modelos arcaicos e europeus, sem a necessidade de atender aos interesses das oligarquias conservadoras e aos valores estrangeiros, fazendo uma renovação cultural radical;

 

·       valorizar a “língua brasileira” (língua falada pelo povo nas ruas), criando uma consciência nacionalista, porém crítica, da realidade do Brasil;

 

·       repensar criticamente a história e as tradições brasileiras, considerando o índio como verdadeiro brasileiro e valorizando as riquezas e contrastes do País;

 

·       divulgar as obras e ideias modernistas e investigar profundamente as novas formas de expressão, literária e artística, construindo uma identidade cultural livre das influências europeias;

 

·       reconstruir a cultura brasileira sobre bases nacionais, eliminando qualquer vestígio de nosso complexo de colonizados.

 

 

1ª Fase do Modernismo no Brasil (1922 - 1930)

Inicia-se após a Semana da Arte Moderna no Brasil, com a necessidade de romper com todas as estruturas do passado, promovendo uma revisão crítica de nossas origens históricas, a fim de ser criada uma identidade cultural nacional.

 



12h40 |




Principais autores que fizeram parte da 1ª Fase do Modernismo no Brasil

Muitos foram os autores que contribuíram com suas fantásticas obras para o Modernismo no Brasil, como Antônio de Alcântara Machado, Cassiano Ricardo, Plínio Salgado, Menotti Del Picchia e muitos outros. Entretanto, não podemos deixar de destacar como principais autores:

 

 

9- Mário de Andrade

            Mário Raul de Morais Andrade nasceu na cidade de São Paulo em 09/10/1893. Morreu em 25/02/1945.

            Filho de Maria Luisa de Andrade e Carlos Augusto de Andrade. Entre suas principais obras estão: Poesia: Há uma Gota de Sangue em Cada Poema (1917); Pauliceia Desvairada (1922); Losango Cáqui (1926); Clã do Jabuti (1927); Remate de Males (1930); Poesias (1941); Lira Paulistana (1946); O Carro da Miséria (1946); Poesias Completas (1955)/ Romance: Amar, Verbo Intransitivo (1927); Macunaíma (1928)/ Contos: Primeiro Andar (1926); Belasarte (1934); Contos Novos (1947)/ Crônicas: Os filhos da Candinha (1943)/ Ensaios: A Escrava que não é Isaura (1925); O Aleijadinho de Álvares de Azevedo (1935); O Movimento Modernista (1942); O Baile das Quatro Artes (1943); O Empalhador de Passarinhos (1944); O Banquete (1978).

 10- Tarsila do Amaral

      Tarsila do Amaral nasceu em Capivari (SP) em 01/09/1886. Morreu em 17/01/1973.

            Filha de Lydia Dias de Aguiar do Amaral e José Estanislau do Amaral. Tem entre suas principais obras: Autorretrato (1923); Retrato de Oswald de Andrade (1923); Estudo (Nú) (1923); São Paulo – Gazo (1924); Antropofagia (1929); A Cuca (1924); Pátio com Coração de Jesus (1921); Chapéu Azul (1922); Autorretrato (1924); O Pescador (1925);  Manteau Rouge (1923); A Negra (1923); São Paulo (1924); Morro da Favela (1924); A Família (1925); Vendedor de Frutas (1925); Paisagem com Touro (1925); Religião Brasileira (1927); O Lago (1928); Coração de Jesus (1926); O Ovo ou Urutu (1928); A Lua (1928); Abaporu (1928);  Cartão Postal (1928); Operários (1933).

11- Cândido Portinari

             Cândido Torquato Portinari nasceu numa fazenda de café em São Paulo, em 29/12/1903. Morreu em 06/02/1962.

            Filho de Domênica Torquato e Batista Portinari. Tem entre suas principais obras:

Morro (1933);Os despejados (1934); Mestiço (1934);  O Lavrador de Café (1934); Lavadeiras (1937);  Grupos de meninas brincando (1940); O Sapateiro de Brodowski (1941);  Enterro na rede (1944); Menino com pião (1947);   A primeira missa no Brasil (1948); A descoberta da terra (1941);  Os Retirantes (1944); Cena rural (1954); Menino com carneiro (1954).

12- Anita Malfatti

            Anita Malfatti nasceu na cidade de São Paulo em 02/12/1889. Morreu em 06/11/1964.

           Filha de Betty Krug e Samuel Malfatti. São suas principais obras: A boba (1915-16); A Estudante Russa (1915); O homem das sete cores (1915-16); Nu Cubista (1915-16); O homem amarelo (1915-16); Menina (1938).

13- Oswald de Andrade

            José Oswald de Sousa Andrade nasceu na cidade de São Paulo  em 11/01/1890. Morreu em 22/10/1954.

            Filho de Inês Henriqueta Inglês de Sousa Andrade e José Oswald Nogueira de Andrade. São suas principais obras: Os Condenados (1922); Memórias Sentimentais de João Miramar (1924); Estrela de Absinto (1927); Serafim Ponte Grande (1933);  A Escada Vermelha (1934); Os Condenados (l941) - reunindo os livros de 1922, 1927 e 1934, constituindo a Trilogia do Exílio, Marco Zero I - Revolução Melancólica (1943); Marco Zero II Chão (1946)/ Poesia: Pau-Brasil (1925); Primeiro Caderno de Poesia do Aluno Oswald de Andrade (1927); Poesias Reunidas (1945)/ Teatro: O Homem e o Cavalo (1943); Teatro (A Morta, O Rei da Vela(1937)/ Ensaio:    Ponta de Lança (1945?); A Arcádia e a Inconfidência (1945); A Crise da Filosofia Messiânica (1950); A Marcha das Utopias (1966)/ Memórias: Um Homem sem Profissão (1954).

        14- Manuel Bandeira

             Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho nasceu em Recife em 19/04/1886. Morreu em 13/10/1968.

            Filho de Francelina Ribeiro e Manuel Carneiro de Sousa Bandeira. São suas principais obras: Poesia: A cinza das horas (1917); Carnaval (1919); O ritmo dissoluto (1924); Libertinagem (1930); Estrela da manhã (1936); Lira dos Cinquent'anos (1940); Belo, belo (1948); Mafuá do malungo (1954); Estrela da tarde (1963); Estrela da vida inteira, incluindo todas essas obras, é de 1966 e foi lançada para comemorar os 80 anos do poeta./ Prosa: Crônicas da província do Brasil (1937); Itinerário de Pasárgada (1954); Andorinha, andorinha (1966).



12h06 |




 

Momento histórico

         Após um mês da Semana de Arte Moderna, ocorre no Brasil a eleição para Presidente da República, com a vitória de Artur Bernardes sobre Nilo Peçanha. Logo depois, é fundado, no Rio de Janeiro, o Partido Comunista Brasileiro.

            O início do governo de Artur Bernardes é marcado por um constante estado de sítio, censura à imprensa e intervenções nos Estados. Entretanto, em 5 de julho de 1924, estoura uma revolução em São Paulo, em que os militares exigem o fim da corrupção, voto secreto e maior representatividade política. Seu término ocorre com a retirada dos revoltosos em direção ao interior, onde se encontram com tropas do Rio Grande do Sul, lideradas por Luís Carlos Prestes. Com isso, formam a Coluna Prestes, com aproximadamente mil homens, divulgando os ideais revolucionários.

            Com o fim do governo de Artur Bernardes, é eleito Washington Luís. Apesar de uma aparente calma na situação política e social brasileira, o país caminhava para o fim desse período de convulsões sociais com a Revolução de 1930 e a ascensão de Getúlio Vargas ao poder. Nesse período, Mario de Andrade dá seu depoimento:

         "Mil novecentos e trinta... Tudo estourava, políticas, famílias, casais de artistas, estéticas, amizades profundas. O sentido destrutivo e festeiro do movimento modernista já não tinha mais razão de ser, cumprido o seu destino legítimo. Na rua, o povo amotinado gritava: - Getúlio! Getúlio!..."

 

O Modernismo e o Movimento Nacionalista

           

 

       A postura nacionalista do movimento modernista apresenta duas vertentes distintas: um nacionalismo crítico, consciente, de denúncia da realidade brasileira, politicamente identificado com as esquerdas, e um nacionalismo ufanista, exagerado, utópico, identificado com as correntes políticas de extrema direita.

     Com isso, os artistas buscaram manifestar-se das mais variadas formas expondo suas críticas e pensamentos para a época, como no Manifesto da Poesia Pau-Brasil e no Manifesto Antropófago, ambos nacionalistas na linha comandada por Oswald de Andrade, e no Manifesto do Verde-Amarelismo, que trazia influências do nacionalismo fascista comandado por Plínio Salgado.

 

*Agradecemos a sua visita em nosso Blog!!! Mas esteja atento, querido leitor, pois nossas publicações ainda lhe reservam muitas surpresas. Aguardem!

 

Trabalho de Juliana Wasser Bueno de Mello, Adriana de Fátima Fontes e Calebe Simões.

 

Fontes bibliográficas:

BOSI, Alfredo. História Concisa da Literatura Brasileira. São Paulo, 1987 – 23ª  edição. Cultrix

NICOLA, José. Língua, Literatura & Redação. São Paulo, - 8ª edição.Scipione

PROENÇA, Graça. História da Arte. São Paulo, 1997. Ática

Faraco & Moura. Língua e Literatura. São Paulo, 1999 – 6ª edição. Ática

FIGUEIREDO, de Lenita Miranda. História da Arte. São Paulo, 2002. Pingu.  



11h46 |




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